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domingo, 12 de julho de 2020

Curiosidades

 

• Como tantas outras bandas de Pós-Punk percussoras dos anos 80, o Joy Division se formou na cidade de Manchester, mas Ian Curtis cresceu cerca de uma hora fora daquela cidade em formação; em uma casa da classe trabalhadora na cidade industrial de Macclesfield, Cheshire. Ele nasceu em 15 de julho de 1956, seus pais eram Kevin e Doreen Curtis, e ele foi o primeiro filho do casal.
• Ian tinha muito carinho por sua única irmã, Carole Curtis. E ela para com ele.
• As letras assombrosamente introspectivas e inteligentes de Ian se tornaram uma das principais marcas do Joy Division, e esse talento para a poesia foi algo que ele desenvolveu muito cedo. Com apenas 11 de idade, ele recebeu uma bolsa de estudos na King's School de Macclesfield, onde desenvolveu seus interesses literários e recebeu vários prêmios acadêmicos por seus talentos.
• Ian não podia comprar discos na adolescência e costumava furtar regularmente; principalmente em lojas de discos no centro da cidade de Macclesfield. Ele escondia debaixo de seu longo casaco cinza, muitas vezes também furtava garrafas de bebida das empresas de bebidas alcoólicas locais.
• Entre músicos e bandas favoritas de Ian estão Jim Morrison, Lou Reed, Iggy Pop, David Bowie, Velvet Underground, Sex Pistols e Kraftwerk. Já na literatura, seus escritores favoritos eram William Burroughs, J. G. Ballard, Joseph Conrad  e T.S. Eliot.


• Ian começou a namorar Deborah Woodruff - Debbie -  quando ambos tinham 16 anos e se casaram menos de três anos depois. Eles foram morar com os avós de Ian no início, depois se estabeleceram em sua própria casa na Barton Street em Macclesfield.
• Ian estudou brevemente História e Teologia no St. John's College, mas logo desistiu para poder procurar um emprego remunerado. Ele conseguiu um emprego em uma loja de discos em Manchester e depois passou pelo serviço público em algumas posições diferentes antes de trabalhar como oficial assistente de reassentamento de deficientes, uma espécie de agência de empregos para pessoas com alguma deficiência ou problema de saúde crônico.
• Devido a seu trabalho, Ian fez um curso sobre Epilepsia, antes mesmo de receber um diagnóstico confirmando que ele mesmo possuía tal doença. Foi durante seu tempo trabalhando nessa agência que ele conheceu uma jovem que possuía a doença, tendo tido uma convulsão na frente de Ian, que ficou bastante assustado com a cena. Como ela estava acompanhada de sua mãe, a mesma fez os procedimentos necessários para que sua filha não se machucasse enquanto se debatia no chão. Ela ia até a agência com certa frequência, para saber se havia alguma vaga de emprego. Porém, passou-se um tempo em que ela não mais aparecia, e Ian acreditou que ela já deveria estar empregada. Ainda assim, resolveu ligar para ela para saber. E ficou sabendo que, durante um dos ataques epiléticos, ela acabou falecendo. Esse episódio inspirou Ian a escrever She’sLost Control.
• Ian se juntou ao que viria ser Joy Division depois de responder a um anúncio que a banda colocou na loja Virgin Records de Manchester procurando por um cantor (o vocalista original, Martin Gresty, havia deixado a banda para trabalhar em uma fábrica). Ian foi contratado sem uma audição, com base no fato de que ele estava "bem para o sucesso", de acordo com o guitarrista Bernard Sumner.
• Após escolherem o nome Warsaw para a banda, juntaram dinheiro e gravaram uma demo e um álbum em 1977. A sonoridade era Punk Rock, mas já com peculiaridades. O álbum deveria ser lançado em 1978, no entanto, a banda ficou descontente com o resultado e ele foi cancelado.
An Ideal for Living foi o primeiro EP com o nome Joy Division. Todas as faixas foram gravadas no Pennine Sound Studios em Oldham em 14 de dezembro de 1977. As sessões de gravação foram autofinanciadas pela banda, com um orçamento de 400 libras. As 4 faixas do EP são as que estariam presentes no álbum que gravaram enquanto Warsaw.
• A banda fez seu primeiro show em 29 de maio de 1977 no Electric Circus, em um show que também incluía os Buzzcocks e o poeta John Cooper Clarke.
• Ian escreveu uma carta abusiva para Tony Wilson, fundador da Factory Records,, repreendendo-o por não colocar a banda em seu programa de TV musical So It Goes . Um homem de gostos e impulsos não convencionais, para dizer o mínimo, Wilson prontamente os colocou no programa como resultado, em julho de 1978, e, posteriormente, deu um contrato com a Factory. Ele ainda acabou usando suas economias de vida para financiar o álbum de estreia da banda.
• Ian começou a ter ataques epiléticos no final de 1978. Ele foi oficialmente diagnosticado com a condição em 23 de janeiro de 1979. Seu caso foi descrito pelos médicos como sendo muito grave, e que acabaria por impossibilita-lo em pouco tempo sem as várias dosagens fortes de medicamentos que lhe foram prescritos. Tendo se juntado à Associação Britânica de Epilepsia, Ian estava inicialmente aberto a discutir sua condição com qualquer pessoa que perguntasse, embora logo se tornasse retraído e relutante em discutir qualquer questão relacionada à sua condição além dos aspectos mais rotineiros e comuns.
• A cada nova crise, ficava evidente que um determinado medicamento prescrito falhava em controlar as convulsões de Ian. Seu médico então prescreveu um anticonvulsivante diferente dos anteriores e Debbie notou que Ian estava "cheio de entusiasmo renovado" de que essa formulação específica o ajudaria a controlar suas convulsões.
• Ao longo de 1979 e 1980, a condição de Ian piorou gradualmente em meio à pressão de apresentações e pequenas turnês, com suas convulsões se tornando mais frequentes e mais intensas em cima e fora dos palcos. Os medicamentos que Ian usava produziram vários efeitos colaterais, incluindo mudanças extremas de humor. Após o nascimento de sua filha em abril de 1979, devido à gravidade de sua condição médica, Ian raramente conseguia segurar Natalie no colo, com medo de comprometer a segurança da criança.


• Ian foi o único letrista da banda. Ele disse a um jornalista em uma entrevista em 1978, que ele tinha um caderno cheio de letras “de reserva” do qual ele iria arrancar letras para usar “quando a melodia certa aparecesse”.
• Antes de colocar seus vocais no estúdio, Ian ouvia a faixa de música uma vez e depois gravava com as luzes apagadas. Ele mantinha as letras em uma folha com ele na cabine, mas sempre as cantava de memória.
• A fim de alcançar o efeito de distanciamento desejado, o produtor Martin Hannett gravou os vocais de Ian para a faixa “Insight”, do álbum Unknown Pleasures, por uma linha telefônica. Alguns dos outros floreios pouco ortodoxos de Hannett incluíam gravar o som de batatas fritas sendo comidas, uma guitarra sendo tocada ao contrário e uma garrafa sendo quebrada. Na faixa New Dawn Fades, a introdução é uma amostra da faixa Insight sendo tocada ao contrário.
• Enquanto a banda gravava o álbum Unknown Pleasures, o produtor Hannett ligava o ar condicionado até quase congelar no estúdio. Ian podia ver sua própria respiração enquanto cantava.
• Ian sempre teve pouco dinheiro, mesmo depois do modesto sucesso do primeiro álbum da banda, Unknown Pleasures . O cachê dos shows não era alto, e o sucesso que obtinha pelo álbum de estreia não gerava lucro instantâneo. Então o pouco dinheiro que ele recebia era para cuidar das despesas do lar. Era comum depois que ele terminava de gravar, ficar no prédio do estúdio para limpa-lo e para ganhar algum dinheiro extra.
• A imagem predominante de Ian pode ser a de um artista sombrio e torturado, sempre à beira do desespero e, até certo ponto, é verdade. Mas, como afirmou o baixista Peter Hook, ele também era um jovem, e muitas vezes tinha um lado muito mais jovial nele do que as pessoas poderiam esperar. Em última análise, foi um lado que foi eclipsado pela escuridão, mas é bom saber que brilhou ocasionalmente. Todos os outros membros da banda relembram de piadas internas e brincadeiras que faziam, e, inclusive, Ian costumava rir, apesar de em fotos e vídeos ele raramente aparecer sorrindo.
• Ian sempre quis que suas letras fossem um tanto opacas e ambíguas. Em resposta a um jornalista perguntando sobre a mensagem da banda, ele disse uma vez: “Nós não temos uma mensagem clara; as letras estão abertas à interpretação. Elas são multidimensionais. Você pode ler nelas o que quiser.”


• Ian e Deborah tinham uma cachorra da raça Border Collie chamado Candy. Ela recebeu o nome em homenagem a música "Candy Says" do Velvet Underground. Embora Ian estivesse sempre na estrada, ele sempre dedicava um tempo para brincar com Candy quando estava em casa.
• Ian tinha outros problemas de saúde para enfrentar além da Epilepsia. Ele sofria de estranhas reações alérgicas ao sol. Se o clima estivesse bastante quente com raios intensos do sol, ou mesmo mais fracos ele ficasse exposto por muito tempo, suas mãos ficariam vermelhas e inchariam.
• Apesar de ser algo que Ian queria muito, estar no palco foi passando a ser assustador, pois ele sempre temia ter ataques epiléticos. Isso foi o levando a desenvolver sintomas de Agorafobia, como ter medo de estar diante do público. Sua dança, inclusive, era um mecanismo para não ficar olhando diretamente para o público.
• A dança de assinatura de Ian no palco era comumente chamada de dança “Dead Fly” na imprensa. Os movimentos se pareciam com os que ele teria durante um ataque epiléptico. Por vezes, tanto o público quanto os outros membros no palco, não sabiam se ele estava dançando ou tendo um ataque. Depois dos primeiros ataques, se tornou frequente ocorrerem enquanto estava cantando, devido às luzes, que é um gatilho para os ataques, e também devido ao álcool que ele consumia, até mesmo acreditando que seria um escape.
• Ian tornou-se vegetariano no decorrer dos anos.
• O vício em cigarro começou ainda na adolescência, e Ian consumia demasiadamente mais e mais. Já o álcool, ainda que bebesse, era bem menos que os demais membros da banda. Como hábito dos britânicos, quando Ian estava em sua casa, adorava tomar chá.
• Ian tocou guitarra em várias faixas da banda (geralmente quando Bernard estava tocando sintetizador) como "Incubation", "Transmission e "Love Will Tear Us Apart". Inicialmente, ele tocava uma Shergold Masquerader de Bernad, mas em setembro de 1979 ele adquiriu sua própria guitarra, uma Vox Phantom VI Special que tinha muitos efeitos embutidos usados ​​tanto ao vivo quanto em estúdio. Ian usou a guitarra na turnê europeia do Joy Division no início de 1980 e no vídeo de "Love Will Tear Us Apart". É visível como ele a usava de um modo peculiar, um pouco mais alta do que normalmente guitarristas usam ao corpo.
• Na época da gravação do segundo álbum da banda, Closer, a condição de Ian era particularmente grave, com ele sofrendo uma média semanal de duas convulsões tônico-clônicas. Em uma ocasião durante essas gravações, os colegas de banda ficaram preocupados quando notaram que ele estava ausente do estúdio de gravação por duas horas. Peter encontrou Ian inconsciente no chão do banheiro do estúdio, tendo batido a cabeça em uma pia após uma convulsão. Apesar de casos como esse, Peter afirmou que, em grande parte por ignorância da condição, ele, Bernard e Steve não sabiam como ajudar. No entanto, Peter estava convencido de que Ian nunca queria incomodar ou preocupar seus companheiros de banda, e iria "nos dizer o que [nós] queríamos ouvir" se eles expressassem qualquer preocupação com sua condição.
• Em um incidente, em um show realizado para quase 3.000 pessoas no Rainbow em Finsbury Park em abril de 1980, os técnicos de iluminação no local - contrariando as instruções dadas a eles por Rob Gretton antes do show - acenderam as luzes estroboscópicas no meio da apresentação do Joy Division, fazendo com que Ian quase imediatamente cambaleasse para trás e caísse contra a bateria de Steve no meio de uma convulsão evidente. Ele teve que ser carregado para fora do palco e levado para o camarim da banda para se recuperar.
• Quando Ian se recuperou da convulsão neste incidente, ele foi inflexível que a banda viajasse para West Hampstead para honrar seu compromisso de realizar seu segundo show da noite neste local, embora cerca de 25 minutos após o segundo show, a "dança" de Ian começou a perder seu sentido rítmico e se transformar em algo completamente diferente antes de ele cair no chão e experimentar a convulsão mais violenta que já havia sofrido até então.


• Em abril de 1980, as pressões da vida privada e profissional de Ian estavam se tornando insuperáveis. Sua esposa havia iniciado o processo de divórcio, o Joy Division estava no meio de uma intensa agenda de turnês e prestes a embarcar em sua primeira turnê pelos EUA em suporte ao segundo álbum, Closer,  e sua saúde não mostrava sinais de melhora. Ele tentou suicídio pela primeira vez por overdose de barbitúricos. Depois de tomar os comprimidos, ele telefonou para sua esposa para contar o que havia feito, porque temia não ter tomado o suficiente e sofrer danos cerebrais. Ela então chamou uma ambulância. Após ele receber alta do hospital, Bernard passou com ele perto de um cemitério e disse que era onde ele poderia estar se não tivesse agido a tempo. Ian apenas permaneceu em silêncio.
• A última apresentação ao vivo de Ian aconteceu no dia 2 de maio de 1980, na Universidade de Birmingham. O repertório contava com apenas 11 músicas, preenchido por faixas que viriam a ser lançadas no próximo disco, Closer, e seguindo uma coincidência, também não tocaram um de seus maiores sucessos, “Love Will Tear Us Apart”. Essa apresentação incluiu a primeira e última performance da música "Ceremony" pela banda. Na folha com a lista de músicas desse show, ela foi nomeada como ‘New One’. Ao longo do show, Ian demonstrou uma fadiga atípica, já indicando seu extremo cansaço, físico e mental. Durante a performance de "Decades", perto do fim da apresentação, ele teve um colapso, tropeçou no fio do microfone e precisou ser atendido fora do palco, para voltar em seguida e tocar o “bis”, que foi a música "Digital".
• Nas primeiras horas do dia 18 de maio de 1980, a tensão de sua Epilepsia, a Depressão o sufocando, o casamento desestabilizado e o estado mental deteriorado acabaram se tornando demais para Ian poder suportar. Na véspera da primeira turnê americana do Joy Division, ele cometeu suicídio se enforcando em sua cozinha com a corda do varal. Ele tinha apenas 23 anos.
• Horas antes de Ian cometer suicídio, ele havia assistido ao filme Strozeck, de Werner Herzog, um dos seus favoritos, que conta a história trágica de um artista de rua alemão que foi para os EUA. Ian também havia escutado o álbum The Idiot, de de Iggy Pop, um dos seus artistas favoritos.
• Em 23 de maio de 1980, o corpo de Ian foi cremado no Macclesfield Crematorium e suas cinzas foram enterradas no cemitério da cidade. Sua pedra memorial, com a inscrição “Ian Curtis 18 – 5 – 80” e “Love Will Tear Us Apart”, foi colocada acima de suas cinzas. Esta pedra foi roubada do cemitério em julho de 2008 e posteriormente substituída por uma nova com a mesma inscrição.
• “Love Will Tear Us Apart” foi a única música para a qual a banda gravou um vídeo, e um mês após a morte de Curtis se tornaria o primeiro e único sucesso da banda. A letra de Ian para a música abordava nitidamente a desintegração de seu casamento.
• Após o suicídio de Ian, os membros restantes da banda formaram o New Order, onde encontraram sucesso e continuaram a moldar a paisagem Pós-Punk ao longo dos anos 80. A faixa instrumental Elegia é uma homenagem a Ian, bem como a faixa The Him e I.C.B.
• Pessoas próximas a Ian falaram, após sua morte, sobre como todos os sinais estavam lá no passado. Sua esposa Deborah afirmou que ele havia dito a ela várias vezes que não tinha intenção de viver além dos vinte e poucos anos. Lindsay Reade, esposa do fundador da Factory Records, Tony Wilson, afirmou que Ian havia dito a ela sua crença de que o lançamento iminente de Closer, o segundo álbum da banda, representaria um pico artístico do qual ele não sabia como continuar. Ele também expressou sua crença de que sua Epilepsia o impediria de se apresentar ao vivo. E em uma admissão assombrosa pouco antes de sua morte, ele até disse ao colega de banda Bernard: “Sinto que há um grande redemoinho e estou sendo sugado para dentro dele e não há nada que eu possa fazer”.
• Especulou-se que Ian pode ter sofrido de Epilepsia por vários anos antes de seu diagnóstico real em 1978. Ele disse à esposa que costumava experimentar sensações de flutuações tontas já em 1972, e ocasionalmente se sentia desconfortável por luzes artificiais de locais onde ia para ver bandas tocando ao vivo, em meados dos anos 70.
• Na noite de seu suicídio, Ian disse a seus companheiros de banda que os encontrariam no aeroporto de Manchester na manhã seguinte para o voo para a América, e pediu a Deborah que ficasse na casa dos pais dela durante aquela noite. Ele deixou um bilhete para ela contando sobre sua vida juntos e proclamando seu amor por ela. No final da nota, ele escreveu que era madrugada e que podia “ouvir os pássaros cantando”.


• Ian foi retratado nas telas duas vezes, em dois filmes diferentes, variando significativamente no tom. O primeiro foi 24 Hour Party People de 2002 (no qual ele foi interpretado por Sean Harris), que explora Tony Wilson, a Factory Records e a cena musical de Manchester em geral. O outro foi Control, muito mais íntimo, de 2007, no qual ele foi interpretado por Sam Riley. Neste, a vida de Ian é examinada em preto e branco e de forma mais crua e íntima.
• No que diz respeito aos retratos do Joy Division em Control, o baixista Peter Hook afirmou que “Ele é muito mais preciso do que 24 Hour Party People.” Não é apenas baseado no livro de memórias de Deborah Curtis de 1995, Touching from a Distance, mas conta com detalhes de outras pessoas próximas da banda e de Ian. Natalie, a filha de Ian, aparece como figurante na multidão durante uma das cenas de um show.
• Uma mesa de cozinha que pertencia a Ian no momento de seu suicídio foi colocada em um leilão no eBay em 2013. A venda, realizada por um fã do Joy Division, foi condenada por Deborah e Natalie Curtis e pelos membros do Joy Division. Assim, a venda não aconteceu. Mas, infelizmente, o mesmo vendedor colocou a mesa em um outro leilão no ano de 2015, sendo vendida por 621 libras.
• Em novembro de 2014, um poema escrito por Ian, quando ele estava na escola primária, foi vendido em um leilão em Londres por 1.100 libras. Ian intitulou o poema como “An Epitaph for an Engineer” (Um Epitáfio para um Engenheiro), que, honestamente, não ficaria tão fora de lugar em um disco do Joy Division.
• A 77 Barton Street, a casa em que Curtis se enforcou, foi colocada à venda em 2014. Um fã do Joy Division então começou uma campanha de crowdfunding no Indiegogo na tentativa de arrecadar fundos e comprar o imóvel, com a intenção de transformá-lo em um museu para o falecido cantor e para o Joy Division em geral. Fora do objetivo final, que era de 150.000 libras, a campanha, infelizmente, levantou apenas 2.000. Este dinheiro foi mais tarde doado para a Epilepsy Society e para a instituição de caridade de saúde mental MIND.
• Nem tudo estava perdido, no entanto. Ao saber do fracasso da campanha de crowdfunding em atingir seu objetivo, o empresário e músico Hadar Goldman comprou a propriedade por 125.000 libras - mais uma taxa de compensação de 75.000, já que a casa já havia sido vendida - com o objetivo de honrar a intenção original de transformá-la em um museu do Joy Division, bem como um centro digital de apoio a músicos e outros artistas ao redor do mundo.
• Há um vinho australiano especificamente dedicado à memória de Ian e Joy Division. Chama-se “Known Pleasures” (Prazeres Conhecidos).
• Na Wallace Street em Wellington, Nova Zelândia, há uma homenagem imortal a Ian em uma de suas paredes. As palavras “Ian Curtis Lives” apareceram lá logo após sua morte em 1980, e toda vez que é pintada apagando as palavras, alguém torna a escreve-las novamente.



quinta-feira, 9 de julho de 2020

Sr. Melancolia

 


Ian Kevin Curtis, mais conhecido como Ian Curtis, nasceu no Memorial Hospital em Old Trafford, Manchester, em 1956.  Filho do casal da classe trabalhadora Doreen Elizabeth Curtis e Kevin Curtis, sendo o primeiro filho do casal. Ian cresceu na área de Hurdsfield em Macclesfield. Ainda muito jovem, Ian já demonstrava talento para a composição de músicas e poesia. Aos 11 anos de idade, Ian ganhou uma bolsa de estudos na King's School de Macclesfield. Lá, ele desenvolveu seus interesses por filosofia, literatura e eminentes poetas como Thom Gunn. Enquanto na King's School, ele recebeu vários prêmios escolares em reconhecimento de suas habilidades; particularmente nas idades de 15 e 16 anos. Embora fosse um ótimo aluno, Ian nunca demonstrou interesse no sucesso acadêmico, focando seus interesses e ambições na área da indústria musical. No ano seguinte à formatura de Ian na King's School, a família Curtis comprou uma casa de um parente e mudou-se para New Moston. Uma estória que a família se lembra bem é que, quando criança, Ian decidiu ser um dublê e montou um trenó de madeira como uma plataforma de pouso. Depois de conseguir o apoio de crianças vizinhas, ele colocou um capacete e pulou do telhado de uma garagem. O “show” deixou seu dublê machucado e com fraturas por um bom tempo.

Para alguém que veio a ser idolatrado por causa de letras sombrias intensamente introspectivas, Ian teve uma reação alérgica peculiar ao brilho dos raios do sol. Se ele ficasse exposto por muito tempo, suas mãos ficariam vermelhas e inchariam, parecendo um enorme par de luvas de borracha vermelhas.


A música Punk, tal qual um misto de Cavaleiro do Apocalipse e Dom Quixote, investia contra o gigante em que o Rock havia se transformado, enquanto uma outra parte do mundo vivia o hedonismo apolítico das discotecas. E é nesse ambiente caótico, ao som de Sex Pistols e Buzzcocks, em seu quarto, que Ian Curtis decide que queria cantar. Sua paixão pela música o levou a trabalhar numa loja de discos por um curto período de tempo. Ian também trabalhou como funcionário público em Manchester e, mais tarde, em Macclesfield. Desempenhava a função de recrutador numa agência de empregos. Foi numa entrevista, com uma garota que possuía Epilepsia, que Ian começou a pensar com frequência na doença, visto que ele já apresentava alguns episódios de convulsão. Foi inspirado por essa garota que Ian escreveu a letra da canção She’s Lost Control.



Em 23 de agosto de 1975, Ian se casou com uma amiga de escola, Deborah Woodruff, na Igreja de St. Thomas, em Henbury. Ele tinha 19 anos e ela 18.

Após assistir a uma apresentação dos Sex Pistols, em 1976, Ian se convenceu de que queria definitivamente estar no palco, e não no meio do público. Ian então conheceu os jovens Bernard Sumner e Peter Hook. Ele tinha visto o cartaz dos dois garotos que estavam tentando formar uma banda e se propôs a ser o vocalista e compositor das letras. Assim os três então firmaram um acordo. Logo em seguida, começaram as audições para encontrar um baterista. Entre muitos candidatos, decidiram por Stephen Morris (Steve) como o quarto membro da banda. Steve se tornou um grande amigo de Ian, sendo o membro com que Ian mais compartilhava suas tristezas. Com a formação completa, começaram a pensar em alguns nomes para a banda como Stiff Kittens, que foi rapidamente rejeitado. Finalmente batizaram a banda de Warsaw, inspirado no nome da faixa 'Warsawa' do álbum 'Low' de David Bowie. Como Warsaw, se apresentaram em alguns clubes, já com músicas autorais. Seguiam na linha do Punk Rock e chegaram a gravar um álbum em 1978. Ainda em 1978, por existir uma outra banda chamada Warsaw Pact, resolveram escolher outro nome, sendo Joy Division o definitivo.

A banda fez seu primeiro show em 29 de maio de 1977 no Electric Circus, em um show que também incluía a banda Buzzcocks e o poeta performático John Cooper Clarke.

A persistência de Ian foi o que fez a banda conseguir um contrato de gravação com gravadora Factory Records, de Tony Wilson. Ian convenceu Tony Wilson a permitir sua banda tocar "Shadowplay" no Granada Reports - um programa regional de televisão apresentado por Tony. Após estabelecer a Factory Records com Alan Erasmus, Tony Wilson aceitou a banda no seu selo.

Durante as apresentações do Joy Division, Ian desenvolveu um estilo único de dançar, reminiscente dos ataques epiléticos dos quais sofria, algumas vezes no palco. O efeito era tal que as pessoas que estavam no público não sabiam se ele estava dançando ou tendo um ataque. Algumas vezes ele desmaiou e teve que receber atendimento médico ainda no palco, já que sua saúde sofria com a intensa rotina de apresentações dos Joy Division. A primeira crise   epilética de Ian aconteceu no dia 27 de dezembro de 1978, quando a banda voltava de seu primeiro show realizado em Londres, no pub Hope and Anchor. Todos ficaram assustados com o ocorrido, e no momento do ataque nem mesmo sabiam como proceder, eram jovens e nunca tinham presenciado aquilo antes. O pavor, evidentemente, maior foi de Ian. Após a crise, um sentimento de medo e vergonha se estabeleceu. Logo ele começou a apresentar sintomas de Agorafobia.

“Ele deixou cair uma jarra de cerveja no palco, quebrou, e ele rolou no vidro quebrado, fazendo um corte de 25 centímetros na coxa” - Peter



Unknown Pleasures, o álbum de estreia da banda, foi lançado em 14 de junho de 1979, pelo selo Factory Records, com produção de Martin Hannett, o mago por trás do som do Joy Division. A capa foi pensada e executada por Peter Saville, um respeitado designer gráfico, famoso no meio musical. Nela, Saville reproduz a imagem de ondas de rádio que descrevem a morte de uma estrela. Involuntária e premonitoriamente anuncia o encontro de Ian Curtis (a estrela) com a morte.

Segundo o respeitado site Rate Your Music, o disco é o 2º melhor de 1979 (o 1º é London Calling, do The Clash) de uma lista de 1000 álbuns. Ele disputa as 10 primeiras posições com pesos-pesados da importância de Rust Never Sleeps (Neil Young), It’s Alive (Ramones), além do multiplatinado The Wall, do Pink Floyd, que ganha o 10º posto. O mesmo site ainda insere Unknown Pleasures em 25º lugar na lista de álbuns mais importantes de todos os tempos, que tem 5000 nomes. Mais uma vez, a obra-prima do Pós-Punk divide os 50 primeiros lugares com obras de Jimi Hendrix, John Coltrane, The Beatles, Pink Floyd, Bob Dylan, entre outros. O álbum foi amplamente alvo de críticas positivas, inclusive da crítica musical britânica, tida como arrogante. Esse álbum, chamado de LP, fugiu aos padrões por não possuir lado A nem B, mas “outside” [fora, exterior], e “inside” [dentro, interior]. O ouvinte escolhia qual lado ouvir conforme seu estado de espírito. Com o advento do CD, os “lados” obedecem a esta disposição.

Apesar do relativo sucesso de Unknown Pleasures, Ian sempre estava sem dinheiro. Ele muitas vezes tinha que limpar o prédio do estúdio após a gravação para ganhar um extra.

Muitas das canções que Ian escreveu são carregadas com imagens de dor emocional, morte, violência, alienação e degeneração urbana. Tais temas recorrentes levaram os fãs, e a esposa de Ian, Deborah, a acreditar que Ian escrevia sobre sua própria vida. De fato, seus sentimentos sempre foram genuínos, e ele falava de si e de sua visão de mundo, nas letras e poemas que escrevia. Certa vez, em uma entrevista, Ian disse: Escrevo sobre as diferentes formas que diferentes pessoas lidam com certos problemas, e como essas pessoas podem se adaptar e conviver com ele.



“Tudo o que ele era incapaz de expressar em um nível pessoal foi derramado em sua escrita, e assim suas letras contam muito mais do que uma conversa com ele jamais poderia. Um manuscrito com rasuras e correções evoca uma imagem dele na sala azul [a sala de escrita de Ian em sua casa], andando de um lado para o outro e fumando, mal percebendo quando deixei uma xícara de chá na sala.” - relembra Deborah.

Ian cantava com um peculiar timbre baixo-barítono, o que fazia com que sua voz parecesse pertencer a alguém muito mais velho. Ele era fascinado pela escaleta Hohner, um instrumento que foi mostrado a ele pela esposa de Tony Wilson, Lindsay Reade, pouco tempo antes da morte de Ian. Ele utilizou o instrumento ao vivo pela primeira vez durante uma passagem de som do Leigh Rock Festival em 1979. Ele começou uma pequena coleção desse instrumento, possuindo 8 unidades até sua morte. A fascinação de Ian Curtis pela escaleta levaria Bernard Sumner a utilizar o instrumento tempos depois, no New Order.

Os Joy Division, e em particular Ian, tiveram seu estilo de gravação desenvolvido pelo produtor Martin Hannett. Alguns de seus trabalhos mais inovadores foram criados no Cargo Recording Studios em 1979, um estúdio que fora desenvolvido por John Peel e seus investimentos financeiros. John Peel era um grande fã do Joy Division e de Ian Curtis.

Ian foi fortemente influenciado pelos escritores William Burroughs, J. G. Ballard e Joseph Conrad - os títulos das canções "Interzone", "Atrocity Exhibition" e "Colony" vieram dos três autores, respectivamente. Ian também foi influenciado pelos vocalistas Jim Morrison, Lou Reed, Iggy Pop e David Bowie, dos quais era muito fã e passava horas ouvindo discos desses músicos em seu quarto. Suas letras provocavam uma sensação de perda que parecia ter se originado da paisagem pós-industrial de Manchester.

Ian Curtis escrevia em letras maiúsculas, muitas vezes com uma caneta Sharpie. Quando ele queria mudar uma palavra em suas letras ou notas, ele riscava completamente sua antiga escolha de palavras - como se quisesse apagá-la da existência. De muitas maneiras, a caligrafia do líder do Joy Division parece refletir sua personalidade: “Ian era uma pessoa muito definida”, diz Jon Savage, co-editor de So This Is Permanence, uma coleção de cadernos de Curtis lançado pela Livros de Crônicas. “Se ele não gostasse de alguma coisa, acabaria por mostrar seu desagrado.”



Natalie Curtis, a única filha do casal Ian e Deborah, nasceu em 16 de abril de 1979.




A última apresentação ao vivo de Ian Curtis aconteceu no dia 2 de maio de 1980, na Universidade de Birmingham, 16 dias antes de Ian cometer suicídio. O repertório contava com apenas 11 faixas, não muito longo, e principalmente preenchido por faixas que viriam a ser lançadas no próximo disco, Closer, e seguindo uma coincidência, também não tocaram um de seus maiores sucessos, “Love Will Tear Us Apart”. Essa apresentação incluiu a primeira e última performance da música "Ceremony" pela banda - música que foi depois usada pela banda New Order. Na folha com a lista de músicas desse show, ela foi nomeada como ‘New One’. Ao longo do show, Ian demonstrou uma fadiga atípica, já indicando o que estaria por vir dias depois. Durante a performance de "Decades" - onde o sintetizador superaqueceu e começou a desafinar -perto do fim da apresentação, ele teve um colapso, tropeçou no fio do microfone e precisou ser atendido fora do palco, para voltar em seguida e tocar o bis e aquela que seria a última música que cantou em um palco: "Digital". A gravação da apresentação pode ser encontrada no álbum de compilações Still.

Sinto-me sufocado
Sinto-me sufocado
O medo o qual eu chamo
Toda vez que eu chamo
Eu me sinto sufocado
Eu me sinto sufocado
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
 
Sinto-me sufocado
Como padrões parecem se formar
Eu sinto frio e calor
As sombras começam a cair
Eu me sinto sufocado
Eu me sinto sufocado
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
Dia sim, dia não
 
Eu tenho o mundo ao redor
Para ver o que acontece
Parado perto da porta, sozinho
E então desapareço
Eu te vejo desaparecer
Nunca desapareça
Eu preciso de você aqui hoje
Nunca desapareça
Nunca desapareça
Nunca desapareça
Nunca desapareça
Desapareça, desapareça
Desapareça, desapareça
Desapareça, desapareça
Desapareça

 (Letra de Digital)

 

Os problemas pessoais de Ian, como o divórcio conturbado da sua esposa e um caso extraconjugal com a jornalista belga Annik Honoré bem como a Epilepsia e uma pressão do meio musical, principalmente pela grande oportunidade chegando com a turnê internacional, teriam contribuído para o suicídio de Ian, que se enforcou numa madrugada aos 23 anos de idade. De acordo com o livro Touching From A Distance, Ian ingeriu uma overdose de medicamentos para Epilepsia e foi parar num hospital poucos meses antes de sua morte. Acredita-se que tal overdose tenha sido um "pedido de socorro", mas Ian disse a seus companheiros de banda que não havia ingerido uma overdose. Obviamente, ele estava com vergonha, até porque naquela época o suicídio era um assunto ainda mais tabu do que hoje. O livro conta que Bernard levou Ian a um cemitério após sua saída do hospital, para lhe mostrar onde ele poderia ter ido parar caso a overdose tivesse sido fatal. Ian permaneceu em silêncio.

“Ele ficou comigo algumas semanas antes de morrer e eu tentei faze-lo sair desse estado de espírito, mas, infelizmente, ele não conseguiu êxito com isso.” - Bernard

Na noite do dia 17 de maio, dias antes do início da primeira turnê do Joy Division nos Estados Unidos, Ian assistiu a um de seus filmes favoritos, Stroszek, de Werner Herzog. E nas primeiras horas da manhã do dia 18 de maio, Ian se enforcou em sua cozinha, utilizando uma corda que sustentava o varal de roupas, ouvindo o disco The Idiot, primeiro lançamento do cantor norte-americano Iggy Pop. Os pontos de vista e as preferências de Ian Curtis continuam a gerar especulações sobre as reais razões pelas quais ele resolveu tirar a própria vida. O fato é que Ian já era conturbado em sua adolescência, com pensamentos e ideologias de contracultura, uma mente provavelmente já farta do mundo ao seu redor. No decorrer dos anos somou-se a Epilepsia, que consumia demasiadamente sua energia, e a Depressão Maior. Ainda que ele tivesse começado um tratamento médico, naquela época tanto as informações sobre transtornos mentais quanto os tratamentos eram bastante limitados. Sua mente perturbada não lhe deu a chance de domar seus fantasmas, suas dúvidas, suas inquietudes. A Epilepsia, sua maior inimiga, jamais permitiu que se abrisse para além de seu pequeno mundo. E, num misto de cansaço e desespero, decidiu matá-la primeiro, de forma premeditada, calculada, mesmo com o sacrifício da própria vida.

“Ele deve ter ficado acordado a noite toda ouvindo discos, eu acho, porque um dos discos ainda estava girando na mesa e acho que ele deve ter decidido me escrever por volta das três horas da manhã porque ele disse que os pássaros estavam cantando quando ele terminou a carta.” - Deborah



Ian foi cremado e as suas cinzas foram enterradas em Macclesfield, com uma lápide com a inscrição "Love Will Tear Us Apart" ("O Amor Vai Nos Separar"). O epitáfio, escolhido por sua esposa Deborah, é uma referência à canção mais conhecida do Joy Division. Em 2008, a polícia britânica anunciou que essa lápide foi roubada do cemitério. As autoridades locais buscam testemunhas e investigam, mas, como não havia câmeras de segurança no local, até hoje não foi descoberto o autor. Pouco tempo depois, a lápide foi substituída.

Os membros remanescentes do Joy Division formaram a banda New Order após a morte de Ian. A banda havia feito um acordo de que os Joy Division não continuariam se um dos membros deixasse a banda ou morresse. O primeiro álbum dos New Order, Movement, possui uma canção intitulada I.C.B., que significa "Ian Curtis Buried" ("Ian Curtis Enterrado").

Em maio de 2007, um filme britânico sobre a vida e a morte de Ian, intitulado Control, estreou no Festival de Cannes. No papel de Ian Curtis está o ator britânico Sam Riley (em seu primeiro filme como ator principal), que nasceu em 1980, cerca de quatro meses antes do suicídio de Ian. O filme é dirigido pelo neerlandês Anton Corbijn.

Ian Curtis cometeu suicídio em 18 de maio de 1980, um dia antes da viagem do Joy Division para os Estados Unidos, onde fariam sua primeira turnê internacional. O curioso é que essa turnê seria a que os levaria a um público maior e mais abrangente. Se tivesse ocorrido, a banda se tornaria famosa com Ian ainda vivo.

Devido a problemas na tiragem, o álbum Closer tornou-se um álbum póstumo, só sendo lançado em julho de 1980. Neste LP, eles se superaram, com composições que viriam a influenciar quase todo o Pós-Punk. As canções mais elogiadas pela crítica foram "Isolation", "Passover", "Heart and Soul" e "Twenty Four Hours". O disco conseguiu chegar ao 6.º lugar dos tops ingleses e liderou as paradas alternativas.

Apesar dos problemas pessoais de Curtis, o Joy Division terminou de gravar seu segundo álbum, Closer, em 1980. Ainda considerado um dos grandes álbuns de rock dos anos 80, as letras fazem uma audição perturbadora. Combinam um senso medieval de mortalidade com uma consciência das provações e horrores do século 20 .

Em setembro de 1980, a começar pelos singles "Atmosphere"/"She's Lost Control" (sendo esta refeita, com uma levada mais dançante), vieram os lançamentos póstumos. No ano seguinte, veio o duplo Still, com várias sobras de estúdio e o registro do último concerto do Joy Division. Substance, lançado em 1988, é uma coletânea de singles e lados B. Permanent, editado sete anos depois, em 1995, compilou 15 clássicos, mais uma regravação de Love Will Tear Us Apart, Nessa versão, foram adicionadas guitarras e reduzido o som do baixo de Peter. Heart and Soul é uma caixa com 4 CDs, que reúnem praticamente tudo que eles gravaram.

Alguns meses depois do suicídio do vocalista Ian Curtis, os outros membros da banda formaram o New Order.

 


A influência do quarteto no rock mundial permanece, como provam bandas como Editors, Interpol e Franz Ferdinand, She Wants Revenge, The Killers (que inclusive têm "Shadowplay" como faixa do álbum Sawdust e faz parte da trilha sonora do filme Control), além de serem grandes ídolos de outros artistas, como Trent Reznor do Nine Inch Nails, Thom Yorke do Radiohead, Billy Corgan do Smashing Pumpkins, Jonas Bergqvist do Lifelover, e, no Brasil, do falecido líder da banda Legião Urbana, Renato Russo.

Os membros do Joy Division foram influenciados por artistas que eles acreditavam transpor algumas verdades sobre o sistema em que viviam, dentre esses encontramos The Doors, Velvet Underground, David Bowie, Sex Pistols e Iggy Pop, bem como Kraftwerk, banda que posteriormente se tornou uma influência muito maior para o New Order. Eles também citaram Siouxsie and the Banshees como uma de suas principais influências.

O Joy Division começou tocando Punk Rock mas evoluiu para o Pós-Punk logo no primeiro álbum. A sonoridade do grupo passou a ser muito criativa e melancólica. O crítico Simon Reynolds afirmou que "A originalidade do Joy Division se tornou realmente evidente quando suas músicas ficaram mais lentas." Na descrição de Reynolds "O baixo de Peter Hook era responsável pela melodia, a guitarra de Bernard Sumner preenchia as lacunas ao invés de encher o som do grupo com riffs densos e a bateria de Stephen Morris parecia circular o contorno de uma cratera." Bernard também descreveu o som característico da banda, em 1994: "Ele saiu naturalmente: Eu trabalhava mais com ritmo e acordes, e o Peter com melodia. Ele costumava tocar o baixo muito alto porque eu gostava que minha guitarra soasse distorcida, e o amplificador que eu tinha só funcionava no volume máximo. Quando Peter tocava o baixo, ele não podia ouvir a si mesmo. Steve tem seu próprio estilo de tocar, que é diferente dos outros bateristas. Para mim, o baterista em uma banda é o relógio, mas Steve não seria o relógio, porque ele é passivo: ele seguia o ritmo da banda, o que nos deu a nossa vantagem própria". O timbre vocal de Ian não era dotado de muita técnica, mas isso não o impediu de cantar em um baixo-barítono influenciado por um dos artistas que mais prestigiava, Jim Morrison do The Doors.

Bernard atuou como diretor musical não-oficial da banda, um papel que ele transitou para o New Order. Enquanto Bernard era o guitarrista principal do grupo, Ian tocou o instrumento em algumas músicas gravadas e durante alguns shows. Ian odiava tocar guitarra, mas a banda insistiu que ele fizesse isso. Bernard disse: "Ele tocava de forma bastante bizarra, o que para nós foi interessante, porque ninguém mais iria tocar como Ian". É visível esse modo peculiar nos shows e em alguns clipes, Ian deixava a guitarra mais alta que normalmente guitarristas deixam no corpo, e batia nas cordas sem muita atenção, demonstrando sua frustração por tocar o instrumento, cujo não queria. Durante as sessões de gravação de Closer, Bernard começou a usar sintetizadores construídos por ele mesmo e Peter começou a usar também um baixo de seis cordas para intensificar a melodia do grupo.

"Lembro-me de uma noite em que estávamos gravando Closer, muito tarde, deve ter sido por volta das quatro horas da manhã e eu estava perguntando a ele como estava sua letra e ele disse que estava incrível. Ele disse ‘está vindo uma após a outra, estou escrevendo muito rápido e sei exatamente onde está o final da música’." - Bernard

Ian escrevia letras freneticamente, então letras não faltavam para usar. Normalmente, ele primeiro ouvia o som instrumental feito pelos outros integrantes e depois inseria as letras mais adequadas. Palavras como "escuridão, pressão, frieza, fracasso, crise, colapso, perda de controle" se repetem nas canções da banda. As letras de Ian tratavam de temas depressivos, soturnos e cotidianos. Os outros integrantes afirmam que as letras refletiam profundamente a vida pessoal dele, mas que só perceberam isso depois que ele se suicidou, o que trouxe muito arrependimento aos mesmos, por não perceberem que se tratava de algo mais profundo que meros temas. O musicólogo Robert Palmer escreveu na revista Musician que os escritos de William S. Burroughs e J.G. Ballard eram "influências óbvias" para Ian, e Steve também se lembrou do cantor lendo T.S. Eliot. Ian simbolizou o clima de melancolia existencial que simbolizava uma das principais exportações musicais da Grã-Bretanha na década de 1980. Voltando a revolução Punk para dentro, as letras sombrias de Ian enfureceram a condição humana. Ele transformou as letras musicais de uma mensagem de “foda-se” para “estou fodido”.

 


O produtor Martin Hannett ajudou muito o Joy Division a desenvolver sua identidade sonora. Hannet teve como objetivo criar um som mais expansivo nos registros do grupo, colaborou bastante na inserção de elementos eletrônicos e deu destaque na “separação do som limpo e claro”, não só para instrumentos individuais, mas mesmo para peças individuais na bateria de Steve. A característica mais marcante do Joy Division é sua sonoridade melancólica acompanhada de melodias com temas existenciais, depressivos e paisagens da vida urbana em meio à revolução industrial.

Atualmente, Peter Hook não está mais na banda New Order. Formou a banda Peter Hook and the Light no ano de 2010 e segue fazendo shows tocando músicas do Joy Division e algumas autorais. A filha de Ian, Natalie, é fotógrafa e acompanhou de perto as gravações do filme Control, que conta a trajetória de seu pai.

Curiosidades

  • Como tantas outras bandas de Pós-Punk percussoras dos anos 80, o Joy Division se formou na cidade de Manchester, mas Ian Curtis cresceu ...